O site de um lodge de pesca com mosca no Chile tinha um único problema: não existia
O Chimalfe Patagonia Lodge chegou com um WordPress onde toda página interna dava 404. Reconstruímos o site inteiro, bilíngue, com identidade visual própria e um detalhe que ninguém pediu: uma mosca caindo na água.
Existem projetos em que o pedido é "melhore meu site" e outros em que o pedido real é "substitua, porque o que eu tenho não existe". O Chimalfe Patagonia Lodge foi o segundo caso.
O diagnóstico
Chimalfe é um lodge de pesca com mosca às margens do Lago Yelcho, em Chaitén, na Patagônia chilena. Trutas Brown, Rainbow e King Salmon, temporada de outubro a abril, selo Orvis Endorsed Lodge, uma conta no Instagram com 6.300 seguidores e conteúdo de qualidade real.
O site deles, por outro lado, estava clinicamente morto. Conferimos cada link do menu e o resultado foi uniforme: /lodge/ 404, /fishing-2/ 404, /reservation-rates/ 404, /location/ 404, /contact-us/ 404, /gallery/ 404. A única página que carregava era a home, e nem essa carregava direito — o hero não aparecia, o menu fixo cobria os títulos, a seção de vídeos ficava girando para sempre.
Um WordPress de anos atrás, sem manutenção, servindo de vitrine para um negócio que hoje vive de reservas internacionais. O contraste era o próprio argumento de venda: uma marca forte no Instagram, sustentada por um canal de vendas que devolvia erro a cada clique.
Não havia nada para otimizar. Era preciso reconstruir.
O que foi reaproveitado e o que não foi
O Chimalfe entrou em contato direto com a gente, e o pedido foi pontual: não queriam um site conceitualmente novo do zero, queriam o mesmo site que já tinham — a mesma arquitetura de páginas, o mesmo percurso — mas funcionando e bem feito. Home, Lodge, Pesca, Localização, Tarifas, Contato. Essa estrutura já estava validada por eles, com anos de uso; o que falhava era a execução, não a ideia.
Dali resgatamos duas coisas: os textos da home, que estavam bem escritos em inglês, e essa arquitetura de seis páginas que o cliente queria manter tal como estava.
Do código, nada. Migração total para Next.js (App Router), com rotas /es e /en e conteúdo separado por idioma em JSON, para que o cliente possa eventualmente editar textos sem mexer em componentes.
Sem motor de reservas — o site anterior também não tinha, e para um lodge com pacotes sob medida por temporada, um formulário de contato mais um botão direto de WhatsApp (wa.me/56983614521) funciona melhor do que um booking engine que ninguém vai manter.
A identidade visual
Definimos uma paleta que chamamos de "de campo" — tons topográficos, terra e musgo, com um acento em bronze (brass) que aparece em botões, linhas de mapa e detalhes de marca. Nada dos azuis genéricos de site de turismo. A tipografia combina uma display para títulos com uma sans neutra para o corpo do texto, o mesmo critério de hierarquia que usamos em outros projetos: o que precisa ser lido rápido, se lê rápido.
O hero foi o ponto de honra. Era literalmente o bug mais visível do site anterior — não carregava — então aqui tinha que ser o oposto: carregamento imediato, foto real do Lago Yelcho, sem CTAs competindo com a mensagem, só um indicador de scroll sutil convidando a descer. Menos elementos, mais peso para cada um.
O detalhe que ninguém pediu
No CTA final da home há uma linha que se desenha da esquerda para a direita, afinando de um traço grosso para um fino, e termina em um ponto: uma mosca de pesca caindo na água. Ao tocar, gera duas auréolas concêntricas que se expandem e desaparecem, como o círculo real que uma mosca deixa ao pousar. Depois fica parada, pulsando a cada dois segundos, como se algo se movesse debaixo d'água. Duas trutas vistas de cima esperam por perto, paradas, olhando para a mosca.
Ao passar o mouse sobre o botão de WhatsApp, uma truta nada de um lado para o outro dentro do botão, em loop.
Nada disso estava no briefing. É o tipo de detalhe que separa um site de turismo genérico de um que entende do que se trata o negócio: não vendemos "um lodge bonito", vendemos a experiência exata de ver uma truta subir para comer uma mosca seca em água cristalina. Se esse momento é o produto, ele precisa estar no site, mesmo que seja em uma animação de quatro linhas de SVG.
Construído em Framer Motion sobre paths de SVG feitos à mão — sem bibliotecas de animação de partículas, sem gastar peso de página em algo que um motion.path com pathLength resolve melhor.
O resultado
Seis páginas bilíngues, todas navegáveis (algo que o site anterior não conseguia nem com uma). Metadados completos, Open Graph dinâmico, JSON-LD do tipo LodgingBusiness com geolocalização real do Lago Yelcho, sitemap e robots gerados. Formulário de contato sem backend próprio, WhatsApp flutuante, bloco de parceiros com o selo Orvis em posição de autoridade.
O site que o Chimalfe tinha perdia reservas todos os dias, em silêncio, sem que ninguém soubesse até tentar clicar. O que eles têm agora transforma essa espera do Instagram em um canal que funciona.
Seu negócio de turismo tem uma marca forte nas redes e um site que só atrapalha? Reconstruímos canais de venda quebrados, com identidade visual própria e sem enchimento genérico.