Quanto Booking, Airbnb e Despegar cobram por cada reserva (Argentina 2026)
Comissões de Booking, Airbnb, Despegar e Expedia sobre uma reserva de ARS 200.000, o que dizem os estudos do Billboard Effect e por que vale somar um canal direto.
Uma reserva de ARS 200.000 no Booking, pela comissão mais comum, deixa ARS 30.000 na plataforma antes de você pagar limpeza, salários ou serviços. Se é um chalé de feriado prolongado e a ocupação está boa, esse número se multiplica por cada reserva da temporada.
Este post reúne os números em um só lugar: quanto cada OTA (Online Travel Agency, agência de viagens online) cobra, o que os estudos dizem sobre o efeito de estar listado e o que há de verdade na ideia de que "sem OTA não se vende". Tudo com fonte. O que não conseguimos confirmar, deixamos de fora.
Quanto cada OTA cobra
Nenhuma publica uma tarifa única: as comissões são negociadas ou variam por país, categoria e programa. Estas são as referências que conseguimos verificar:
| OTA | Comissão de referência | Fonte |
|---|---|---|
| Booking.com | 10% a 25%, o mais comum gira em torno de 15% | Mews |
| Airbnb | 15,5% para a maioria dos anfitriões (14% a 16% conforme o país) | Central de Ajuda do Airbnb |
| Despegar | 15% sobre o valor da reserva, segundo a documentação de um channel manager | Rentals United |
| Expedia e outras OTAs | Faixa habitual de 15% a 25% por reserva | Cloudbeds, 2026 State of Independent Hotels |
Alguns detalhes que mudam a conta:
- Booking calcula a comissão sobre o quarto e os adicionais da reserva (por exemplo, limpeza), não sobre os impostos municipais. Se o Booking gerencia a cobrança, soma-se ainda um custo de processamento de pagamentos de 1% a 3,1% segundo a Mews. Os programas de visibilidade podem elevar o percentual base.
- Airbnb passou de cobrar cerca de 3% do anfitrião (o hóspede pagava sua própria taxa) para uma taxa única de 15,5% descontada do anfitrião. Segundo a Smoobu, o hóspede já não paga uma taxa de serviço separada. Ou seja: não é que o custo total tenha se multiplicado por cinco, é que agora quem absorve é você, a menos que suba o preço publicado.
- Despegar não publica um percentual fixo para hotéis em suas páginas públicas; os 15% saem da documentação de integração de um fornecedor de software. Confirme no seu contrato.
- Expedia não aparece com um número próprio nas fontes que conseguimos ler; usamos a faixa geral das OTAs.
O que sobra de uma reserva de ARS 200.000
Com as referências acima, assim se divide uma reserva de ARS 200.000:
| Canal | Comissão | Cobra de você | Sobra para você |
|---|---|---|---|
| Booking.com (base habitual) | 15% | ARS 30.000 | ARS 170.000 |
| Booking.com (extremo alto da faixa) | 25% | ARS 50.000 | ARS 150.000 |
| Airbnb | 15,5% | ARS 31.000 | ARS 169.000 |
| Despegar | 15% | ARS 30.000 | ARS 170.000 |
A comissão é calculada sobre o preço da reserva, não sobre o seu lucro. Se a sua margem por diária é apertada, esses ARS 30.000 pesam bem mais do que "15%".
O que a evidência diz sobre estar em uma OTA
Se as comissões são tão altas, por que continuar? Porque as OTAs também funcionam como vitrine. Esse fenômeno é conhecido como Billboard Effect e é estudado há mais de uma década por Chris Anderson, da Universidade Cornell. O que há publicado:
- 2009: no estudo original sobre hotéis listados na Expedia, Anderson relatou um aumento de 7,5% a 26% nas reservas diretas dos hotéis participantes (Hotel-Online). Os 26% são o extremo alto da faixa, não uma média.
- 2011: em uma análise de 1.720 transações de marcas do InterContinental Hotels Group, quase 75% de quem reservou no site da marca havia visitado a OTA antes (Hospitality Net).
- 2017: Anderson e Saram Han concluíram que o efeito continua vigente, embora um pouco menor, com cerca de 65% de quem reserva direto tendo passado antes por uma OTA (eHotelier, sobre o relatório da Cornell).
Dois alertas honestos. Primeiro, são estudos de redes hoteleiras dos Estados Unidos e de anos anteriores: não há dados equivalentes publicados para hospedagens argentinas. Segundo, "visitou uma OTA" não é o mesmo que "me escolheu graças à OTA". Mesmo assim, o próprio Anderson chegou a uma conclusão útil: as comissões pagas às agências online deveriam ser consideradas um gasto de marketing. E, como qualquer gasto de marketing, vale saber o que ele devolve.
Cancelamentos: outro custo que não aparece na comissão
O relatório 2026 da Cloudbeds, montado com 90 milhões de reservas em 180 países, mediu que as reservas de OTAs foram canceladas em 21,8%, o dobro das diretas (10,6%) (Cloudbeds via IHF). A proporção é global e de hospedagens independentes, mas aponta na mesma direção de outros estudos: uma reserva cancelada é uma diária que precisa ser vendida de novo, e numa OTA a política de cancelamento muitas vezes é definida pela plataforma.
Os dados do hóspede não são seus
Quando a reserva entra por uma OTA, o hóspede é, na prática, cliente da plataforma. Você recebe nome e datas, mas a relação (mensagens, avaliações, remarketing) vive do outro lado. Um exemplo recente: segundo a Smoobu, a partir de 28 de setembro de 2026 o Booking.com deixa de enviar o telefone do hóspede a channel managers e sistemas de gestão para conter o phishing; o número continua disponível na extranet. É uma medida de segurança razoável, mas ilustra quem decide quais dados do seu próprio hóspede chegam aos seus sistemas.
Sem uma base própria de contatos, você não consegue avisar um hóspede de que a temporada voltou, oferecer uma escapada na baixa temporada nem fazer com que ele repita sem pagar outra comissão.
Não é OTA contra canal direto
A conclusão prática não é abandonar o Booking. É OTA + canal direto: usar a OTA para que te encontrem e o seu próprio site para que reservem com você quando já te conhecem. Para isso funcionar, o site precisa carregar rápido, mostrar disponibilidade e preço com clareza e oferecer uma forma simples de contato. Isso desenvolvemos em como melhorar as reservas online na alta temporada, e a parte de visibilidade (Google Maps, perfil, avaliações) em o que o turista procura no Google antes de chegar. Este post não repete isso: aqui está apenas a conta do que custa não ter.
Faça a conta com os seus números
Os percentuais acima são referências. O que importa é a sua mistura real: quantas das suas reservas entram por cada canal e qual o preço médio delas. Montamos uma calculadora para hospedagens: preencha os números da sua operação e teste.
Se preferir revisar com alguém, escreva para nós pelo WhatsApp e olhamos o seu caso. Você também pode ver como trabalhamos sites para turismo no nosso serviço de desenvolvimento web.
Perguntas frequentes
- Quanto o Booking.com cobra de comissão de uma hospedagem?
- O Booking.com costuma cobrar cerca de 15% por reserva efetivada, com uma faixa que vai de 10% a 25% conforme o país, o tipo de hospedagem e o acordo com a plataforma. Programas de visibilidade como o Preferred Partner podem somar pontos percentuais a essa base. O percentual exato consta no seu contrato e na sua extranet.
- Quanto o Airbnb cobra dos anfitriões em 2026?
- O Airbnb cobra da maioria dos anfitriões uma taxa única de 15,5% sobre o subtotal da reserva (entre 14% e 16% conforme o país; 16% no Brasil e no México). Antes, o anfitrião pagava cerca de 3% e o restante era pago pelo hóspede. A migração para a taxa única é obrigatória para a maioria dos anfitriões e foi aplicada por etapas.
- É preciso sair das OTAs para vender direto?
- Não. Os estudos do Billboard Effect da Cornell mostram que estar em uma OTA aumenta a visibilidade e pode trazer reservas diretas, então o mais comum é combinar os dois canais. A decisão de fundo é em qual canal cada reserva é fechada: cada uma que se fecha no seu próprio site evita a comissão.